Taux d'usure a partir de 1 de outubro: o teto do crédito à habitação é de 5,4 % a 20 anos
O Banque de France atualizou as taxas máximas legais do crédito à habitação aplicáveis a partir de 1 de outubro de 2026. O que entra na TAEG, por que razão o seguro do mutuário pode levar um processo a esbarrar no teto e quando os limiares voltam a mudar.

Os números
Novas taxas máximas legais para os empréstimos à habitação aplicam-se a partir de 1 de outubro de 2026. O Service-Public publicou-as a 30 de setembro, com base num aviso do Banque de France datado de 25 de setembro:
| Tipo de empréstimo | Teto |
|---|---|
| Taxa fixa, prazo inferior a 10 anos | 4,09 % |
| Taxa fixa, de 10 a menos de 20 anos | 4,68 % |
| Taxa fixa, 20 anos ou mais | 5,4 % |
| Taxa variável | 5,52 % |
| Prêt relais (empréstimo intercalar) | 6,49 % |
O que é o taux d'usure — e por que razão não é «a taxa obtida»
O taux d'usure é o máximo legal acima do qual um mutuante não pode conceder crédito. Não é a taxa que um banco propõe; é o limite que, quando ultrapassado, faz com que uma taxa seja considerada usurária.
Eis o pormenor que os recém-chegados costumam ignorar: o que se compara com o teto não é a taxa de juro nominal, mas sim a TAEG — taux annuel effectif global. Além dos juros, a TAEG inclui:
- frais de dossier — a comissão de abertura do processo;
- frais d'intermédiaire — a remuneração de um intermediário, por exemplo a comissão de um corretor;
- os custos dos seguros e garantias obrigatórios.
A TAEG de um crédito não pode ultrapassar o taux d'usure. Daqui resulta uma consequência mais importante, na prática, do que os próprios valores: um processo pode esbarrar no teto não por causa da taxa de juro, mas por causa do seguro. A assurance emprunteur é uma componente obrigatória, e o seu custo depende muito da idade e do questionário médico. As regras preveem que tudo isto se soma numa única TAEG, e é esse valor global que é comparado com o limiar.
Se a TAEG calculada ficar acima do teto, o banco simplesmente não pode conceder o empréstimo nessas condições. Do lado do mutuário, isto não se apresenta como «caro» — apresenta-se como uma recusa sem motivo claro.
Por que razão o teto muda todos os trimestres
Os limiares são fixados e publicados pelo Banque de France, que os revê trimestralmente. Os valores atuais abrangem o trimestre que começa a 1 de outubro; segundo essa lógica, a próxima revisão ocorre a 1 de janeiro.
Um pouco de contexto torna o mecanismo mais claro. A periodicidade trimestral é a norma, mas, num período de subida rápida das taxas, começou a criar entraves: o teto ficava atrasado em relação ao mercado e alguns processos ficavam parados até ao trimestre seguinte. Por isso, a partir de 1 de fevereiro de 2023, o Banque de France passou temporariamente a um recálculo mensal, para que os empréstimos não se acumulassem no limiar à espera de uma nova data. Não foi uma medida permanente: com a estabilização das taxas, o cálculo voltou a ser trimestral a partir de 1 de janeiro de 2024.
Há uma lição prática nesta história. A data de assinatura conta: um processo cujas condições sejam fixadas no final de um trimestre é avaliado face ao teto desse trimestre, e não ao do seguinte.
O que costuma ser relevante para quem chegou recentemente
- Pedir ao banco e ao corretor a TAEG, e não a taxa nominal. Comparar propostas com base na taxa nominal não faz sentido, uma vez que as comissões e os seguros ficam de fora dela.
- Ter presente que os frais d'intermédiaire de um corretor também entram na TAEG e aproximam o processo do teto.
- Ter em conta que o teto depende do prazo: um empréstimo a 25 anos e um empréstimo a 15 anos estão sujeitos a limites diferentes (5,4 % contra 4,68 %).
- O prêt relais constitui uma categoria própria, com o teto mais elevado: 6,49 %. Cobre o intervalo entre a compra de uma nova habitação e a venda da anterior, e é caro por natureza.
Não analisamos processos de crédito individuais nem damos aconselhamento sobre a escolha de um banco ou de uma seguradora — esse é o trabalho de um courtier e de um conselheiro bancário.
Fonte: Service-Public.gouv.fr, "Crédit immobilier : quels sont les plafonds du taux d'usure à compter du 1er octobre ?", publicado a 30 de setembro de 2026. O contexto sobre o recálculo mensal de 2023 provém de comunicados de imprensa do Banque de France.
O Fiscly é uma ferramenta educacional para ajudar você a entender o sistema tributário francês. Não substitui aconselhamento fiscal profissional. Situações tributárias são individuais — sempre verifique com impots.gouv.fr ou um contador qualificado (expert-comptable) para o seu caso específico.